Comparação

Junho 10, 2009

Atuar em Malhação é, para o mundo dos artistas, como ser young lions para o mundo dos publicitários.

Seu passado

Maio 13, 2009

Comic Sans e Legião Urbana.
Um dia você já amou.

Redator x Diretor de Arte

Março 26, 2009

E certa vez, uma velha me disse:

COMENDO ASSIM VOCÊ VAI ENGORDAR, MENINO.

Respondi:

MELHOR CRESCER PROS LADOS DO QUE PRA BAIXO.

E penso: ah, o poder das palavras. Quero ver um Diretor de Arte dar uma resposta melhor.

Zueira com Atendimento I

Março 25, 2009

Prazo: hoje, às 18h30

~=^)

Isso me faz pensar:

será que no currículo do atendimento, depois de Línguas, Cursos e Computação tem “Smiles Que Sei Fazer”?  ; )

Cena: marketeiro e publicitário conversando.

Quadrinho I

- Do caralho.

- Gostou?

Quadrinho II

- Achei do caralho.

- Eu odeio muita coisa na propaganda: politicagem, cópia de idéia, prazos apertados…

Quadrinho III

- Hum.

- Mas ela tem um lado lindo que me reforça a continuar sonhando.


Eles se referiam a isso:


Redator online trabalha três vezes mais que redator offline.

Enquanto o offline precisa convencer apenas um DA a fazer a peça, o online precisa convencer um DA, um motion e um programador.

texto-movimento-propaganda

São quase duas da manhã. Você é o único redator vivo na agência e está quase acabando os jobs do dia com sua diretora de arte. A sede faz você pegar água. Na volta, vê um layout de uma outra diretora de arte com um único texto: “lorem ipsum dolor sit amet”.

Duas paixões

Março 3, 2009

interação

Animadora says

Fevereiro 28, 2009

Animadora diz: prefiro contar histórias pessoalmente.
Animadora diz: toda emoção de contar uma história.
Redator diz: ai ai
Redator diz: animadoras… precisam usar os braços
Redator diz: eu conto histórias com Arial.

Neste caso, foi com uma Times mesmo

Não deixe para amanhã…

Fevereiro 27, 2009

NA VERSÃO POPULAR:

NÃO DEIXE

PARA AMANHÃ

O QUE VOCÊ

PODE FAZER HOJE.


NA VERSÃO PUBLICITÁRIA:

FAÇA HOJE.

AMANHÃ ALGUÉM

PODE TER A MESMA

IDÉIA E LEVAR

SEU LEÃO.

A publicidade começou errada

Fevereiro 18, 2009

Antes de uma prostituta partir para o ato sexual, ela precisa se vender. Por isso, ao contrário do que muitos pensam, prostituição foi a segunda profissão que surgiu no mundo. A primeira foi vendas.

Se existe vendas, não adianta, existe um estímulo. E é aí que entra a publicidade.

Pensando bem, isso é triste, já que a publicidade começou apelativa: o primeiro anúncio existente foi um corpo feminino.

E isso é mais triste ainda para mim, do ponto de vista do redator, já que a primeira peça publicitária feita no mundo foi uma all image.

Você vê, começamos errado.

E o pior…

Setembro 23, 2008

Toca o despertador e não há tempo para se pensar nem bocejar porque o dia hoje te espera e você não pode ficar parado já que a natação lá pelas 7h15 já deve estar começando e você atrasado nem vai conseguir tomar um cafezinho para acordar e não chegar com a cara de destruído que normalmente chega o que faz o PROFESSOR rir enquanto você entra na água e nada nada nada até a hora que precisa sair correndo para tomar banho e café para se alimentar e conseguir passar o dia inteiro criando campanhas e aquelas peças que você sabe que vão voltar com alteração feita pelo estagiário que trabalha no cliente e estudou bem menos que você e sabe muito menos ainda do que seu diretor de criação que exige cada vez mais e por tamanha exigência hoje você vai ter que pedir um rango e comer na frente do computador para ralar e buscar aquela idéia maravilhosa que vai render mais que bons resultados para o cliente mas resultados para você que quer ainda mais e por isso faz ainda mais como quando você sai do trabalho atrasado para pegar aquele trânsito complicado e ir para a faculdade já com FOME e ainda mais cansado mas sabendo que vai valer a pena porque lá tem amigos e a chance de desenvolvimento pessoal e também porque você precisa fazer aquele maldito tcc que nunca acaba e não faz o dia acabar já que você vai chegar em casa e escrever aquele capítulo chamado “Macroambiente com foco em questões Marxistas” porque seu grupo já está cobrando e você vai fazer pensando no job ferrado que chegou na sua mesa quando você estava indo embora.

E O PIOR É DISSO TUDO QUE A GENTE MAIS GOSTA.


E-mail de despedida

Agosto 14, 2008

Inicio esse fim sem a pretensão de ser o rudimento dos “tchaus sem saudade”. Mas também não pretendo zunir como um pétreo fúnebre sem recônditos de amor no coração. E, apesar desta contradição, não sei para qual lado oscilarei ao final dessa despedida, ou neste fim. Apenas garanto que serei o pregoeiro da honestidade e dar-lhes-ei nada mais do que a minha verdade, sem aquela veneta inconsciente, o que para mim é muito natural.

Foi exatamente um calendário inteiro na LongPlay. 12 páginas de fatos marcantes e aprendizados, além de noites de ucas, sempre cordialmente bem-vindas, apesar do subterfúgio da responsabilidade; a diversão de pizzas à caucho, sempre em nobres companhias digitais; e madrugadas de jobs, estes sim, às vezes defenestrados.

Já é certo, saudades terei das risadas, dos que ficam e, talvez, até daquelas bem malsonantes. Me refiro às semicolcheias proliferadas ao som de Roberto Justus, que espoucavam o rebarbativo som das cordas vocais com fótons de diferentes cores deixando a sua face obscura e o ambiente visivelmente agradável, como recompensa sensorial.

Depois desse um ano, sigo meu rumo pensando no que vou ganhar e não no que vou perder. Entre tantas mulheres com seus bojos de alegria, o que mais vi nascer aqui, decerto foram amigos dos quais jamais esquecerei.

Deixo a LongPlay sem deixar de ser um LongPlayer. Sou hoje e serei sempre o arauto defensor dessa marca, o exegeta concateado da comunicação e findarei no meu conhecimento as lições aprendidas.

À LongPlay eu não tenho um tchau nem um adeus, mas um muito obrigado.

Evolução

Julho 23, 2008

No meu primeiro emprego, eu fazia 200 títulos para achar um bom.

No meu segundo, eu fazia 100.

No meu terceiro, eu fazia 50.

No meu quarto, eu fazia 25.

Hoje, no meu quinto, eu faço 450.

Só que para achar 30 bons e poder escolher entre eles a melhor idéia.

(claro que isso está mais na visão do meu pai do que da minha)

Certo dia, uma folha de papel caiu na real do seu verdadeiro valor.

Ela percebeu ser um ex-pedaço de árvore industrializado, como milhões e bilhões de folhas de papel, tudo igualzinho. Pensava e sonhava como seria bom ser uma nota de dinheiro, talvez um dólar? “Hummm, nem que eu fosse um mísero real”.

E vamos ser sincero: o que significa uma simples folha de papel perto deste mundo?

Tudo.

Em meio a indagações, mas sabia aquela folha de papel que ela se transformaria numa carta de alguém distante e muito querido. A partir de então, uma simples folha de papel tornou-se amada, inesquecível, de valor imensurável. Não seria trocada nem pelas maiores notas de doláres.

Realmente, não existe nada mais importante que uma simples folha de papel.

Hummm… carro, pneu, roda. Anda na estrada… hummm. Isso, é (abre um sorriso), háááá… já sei. Que tal se dissermos: “Cruz Vermelha. A esperança é a penúltima que morre”?

Realmente, ninguém entende a cabeça de um publicitário.

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, teve problemas com arquivos no computador. Não é que o arquivo deu pau. O que deu pau foi a sua cabeça na hora de salvá-lo.

Faça o teste. Entre agora em uma pasta na sua máquina e ache o último arquivo salvo lá. Aposto que, pelo nome, você não consegue identificá-lo. Isso acontece porque na hora de salvar, você achou que aquela seria a versão final. E o pior: achou que lembraria o nome dela futuramente. Confuso, né? Vai ficar mais ainda.

Vou dar um exemplo. Como sou redator, vamos usar a extensão .doc. E para nome, usemos “arquivo” mesmo.

É comum abrir uma pasta e ver arquivos como:

– arquivo_final.doc

- arquivo_finalzão.doc

- arquivo_finalzão_mesmo.doc

- arquivo_final_mesmo_27_13_08.doc

- arquivo_agora_vai_vs3.doc

E a coisa só vai piorando:

- arquivo_finalzaozao_mesmo_vamos_que_vamos.doc

- arquivo_finalzao4_unidos_venceremos.doc

- arquivo_pelo_amor_de_deus_vai_logo.doc

Seja sincero. Qual deles é a última versão salva? Pelo nome é impossível saber. Mas vamos supor que esses nomes acima estão em ordem, da primeira versão para a última. Dá para imaginar um livro completo com isso, um belo romance.

– Em arquivo_final.doc, o sentimento que se tem é “beleza, a estrutura está feita, só falta dar um tapinha”.

- No arquivo_finalzão.doc, você já revisou e tem aquela esperança de que seja o final mesmo, mas sabe que alguma coisa pode mudar.

Se você tem o arquivo_finalzão_mesmo.doc, significa que alguma coisa mudou mesmo. Que saco! Não acaba nunca.

E por aí vai, até entrar no desespero. Repare. O nome dos arquivos revela seu grau sentimental no momento em que foi salvo.

Em agência é pior ainda. Você salva um arquivo, coloca na rede e, alguém, numa refação vai tentar achá-lo. Ele se depara com coisas que realmente não tem nexo:

– arquivo_aprova_atendimento_por_favor.doc

- arquivo_vai_cacete.doc

- arquivo_refação_vs98.doc

- arquivo_c******_de_cliente.doc

A coisa vai longe. O nome do arquivo deste post, por exemplo, chama: Problemas_arquivos_nome_Ihhhh.doc. Realmente, terei problemas no futuro.

Quem sabe…

Agosto 14, 2007

De uns tempos para cá, viajei. Fui para os EUA da América (assim mesmo). Um país classe A, onde o lado consumista sobressai. Em meio a tantas compras, organização e riqueza, encontrei mendigos. Vários por sinal, mas com uma diferença: mendigos de primeiro mundo.

Primeiro que os mendigos de lá são bem arrumadinhos. Sabe aquela roupa meio velha que você coloca para ir jogar futebol em dia de chuva, ou que você colocou no seu dia de trote? A roupa deles é bem melhor do que essa. Ao contrário daqui, eles raramente vem pedir dinheiro. Ficam parados na rua, segurando uma plaquinha, que, aliás, é o diferencial de cada um. Sim, lá eles sabem escrever e por sinal são bem criativos. Encontrei coisas como [Ninjas mataram a minha família. Preciso de dinheiro para aprender Kung Fu.]

Genial. Para esse até dei uma moedinha.

Existem duas placas bem famosas, que publicitários conhecem muito bem. A primeira é.

 

malok.jpg

 

Preciso de dinheiro para cerveja, drogas e prostitutas ( Ei, pelo menos não estou enganando você). Sinceridade aliada à comédia. Fabulosa. De tão boa que é, muitos lá no EUA da América, têm textos parecidos: [Mentir para quê? Peço dinheiro para beber.]

A outra história, todo publicitário conhece porque um dia, no colégio, assistiu a uma apresentação de um outro publicitário, que em uma palestra, falou o que um publicitário faz:

“Tinha um mendigo na rua, cego, com a seguinte plaquinha: [Sou cego e não posso trabalhar. Por favor, me dê dinheiro.] O publicitário viu aquilo e pensou, como todos que circulavam por ali, que ser cego não é uma condição para trabalhar e preferiu não dar dinheiro. Mas quis ajudar. Ele pegou a placa da mão do mendigo, escreveu uma frase e foi embora. A partir de então o mendigo começou a ganhar muito, mas muito dinheiro. No final do dia, com o bolso cheio, perguntou a um outro mendigo o que estava escrito. E adivinhem? Ele não sabia ler. Mendigos do Brasil não sabem ler. Então, parou na rua de novo e esperou até que uma outra pessoa fosse dar uma nota (não uma moeda). Teve como resposta a seguinte frase: [Hoje é primavera e eu não posso ver as flores.] Em resumo, o publicitário palestrante conta o trabalho de sua profissão.

Isso tudo é algo que me fascina. Sou redator. Fico pensando quais plaquinhas de mendigos podem ser boas, quais podem dar resultado.


- Todo dia fico aqui fazendo hora extra. Às vezes é sem querer, já que nem relógio eu tenho.

- O preço da pinga abaixou. Hoje só estou pedindo R$0,40.

- Um brinde farei ao santo que me doar uma moeda.

- Someone wrote it to me, but I cannot understand. ‘Needing money to learn this language. By the way, which language is this?

- Com a sua moedinha, eu sustento uma família. Não a minha, mas a do dono do boteco.

- Quero estudar em Harvard. Sua moeda é meu primeiro passo. Não acabe com meu sonho, please.

- Com a sua moedinha, posso explorar todo meu potencial. Se estiver na dúvida, confira com as prostitutas.

- Minha felicidade está no bolso. Eu seria muito sortudo se ela estivesse no coração.

- Oh, vida iníqua que tanto me maltrata. Dai-me tu uma moeda. Seja tu a minha fada.

- Anuncie aqui. (Mídia Perambulante na cidade. Corro atrás se precisar. Gero Mídia. Faço cara de feliz, coitadinho ou o que quer que seja.)

- Sou um grande responsável pelo seu lucro com as ações da Cachaça 51. Exijo comissão. (Ela será investida em mais lucro para você.)

- Eu não tomo banho a favor da saúde do planeta. E você, o que faz? Que tal começar dando uma moedinha para um sócio-ecológico-consciente?

- Preciso de comida. Estou sem forçar até para tirar a cueca de lá.

É… só saberei se isso funciona caso um dia eu participar do O Aprendiz e lá tiver uma prova como essa. Quem sabe…

Sonho de infância

Julho 18, 2007

Meu sonho, de vez em quando, é ser escritor. Na verdade, ser alguém que escreva frases típicas de vestibular. Você já prestou um, então sabe do que eu estou falando.

Por exemplo:

“Boa, oba e OAB. E até bão.

Sessão, seção e cessão.

Eis a língua portuguesa, ora linda, ora estúpida.”

O que o autor dos versos acima quis dizer?

a) a língua portuguesa ora o afaga, ora o difama.

b) apesar das controvérsias, ele admira a língua portuguesa, bem como suas construções nasais, sonoridade e regras da gramática normativa.

c) percebe-se uma crítica óbvia às obras e pensamentos de Kafka, que teve seus livros com sentido alterado quando traduzido pela Editora ao português.

d) a língua portuguesa é uma brincalhona, porque às vezes sabe lidar com o público que o lê, e às vezes o confunde com os mesmos sons, mas com diferentes significados.

e) o autor tem tara sexual pela língua portuguesa e por isso, recita versos difíceis e trava línguas no ápice do momento sexual.

Ou então:

“O Rei no reino disse:

- Vivo vivo porque como como muito bem, bem fico.

O servo sentiu inveja, enquanto a rainha pensava em um fonoaudiologista.”

Nas entrelinhas dos versos acima, percebe-se:

a) isso é uma crítica ao governo Lula, incompreendido pela classe alta e muito próximo das classes inferiores.

b) o autor tem um distúrbio de Treiskaidekafobia (aversão ao número 13), pois seus versos têm métrica maior com referências às obras satânicas (voltadas ao número 13). E para se livrar do medo, ele escreve sobre o assunto.

c) o autor não tinha o que fazer e escreveu qualquer besteira.

d) a alternativa C está INCORRETA.

e) a alternativa C realmente, com toda certeza do mundo e sem erro algum, está CORRETA.

Detalhes.

- Não gostaria que os vestibulares perguntassem “dos textos do autor”, mas “dos versos do autor”. Fica mais poético.

- Gostaria que a resposta correta não fosse o que eu realmente havia pensando. Assim, eu posso chegar em casa e falar: Viu, naquela vez eu não passei porque eu estava pensando como o autor.

- Gostaria que minha questão fosse cancelada, por ter várias respostas corretas e incorretas. “Os textos são passíveis a diversas interpretações, que nem mesmo o autor compreende”.

- Por fim, gostaria que no começo do vestibular, estivesse a frase: “Ó caos confuso labirinto horrendo”. Não é minha, infelizmente, mas é muito boa.

Está aí, um grande sonho.

 

Sou filho de um mídia

Julho 13, 2007

Toda faculdade ensina coisas erradas. E toda profissão tem seus mitos. Eu vivenciei os dois casos em um só. É que a minha faculdade nos ensina, no começo, a zoar os mídias. Não está na grade curricular, lógico, mas todo mundo zoa, principalmente os professores de criação. O problema é que os alunos zoam sem saber o que um mídia faz. Naquela época eu já sabia, afinal, sou filho de um. Felizmente.

Para quem não sabe o que é um mídia e o que ele faz, dou uma frase para pensar: “Vender o futuro com o passado”. Eles são os responsáveis por saber onde o público se encontra e o meio de atingi-lo. O meio e talvez até a maneira, porque mídia, assim como todas as áreas da agência, está cada vez mais integrada, para que possa ajudar em tudo, até nos problemas de criação.

Creio que o mito de zoar os mídias vem de dois motivos principais. Primeiro: eles usam calculadora e excel (argh). Desculpe, caro leitor, tive que escrever o nome desse programa. Segundo: antes, bem antes, diziam que ser mídia era tranqüilo. “Escolha Veja, Jornal Nacional e os dois jornais de maior circulação que bimba!, plano de mídia fechado, aprovado e com bastante verba para as agências. Todo mundo feliz.”

Mas hoje tudo muda. Não adianta abrir tanto o leque. É preciso atingir o público em cheio. Aumentaram as mídias. Existem carrinhos de aeroportos, mais revistas, mais jornais e até pipas no céu. E também existe a internet, com zilhões de sites. Enfim, a profissão de mídia cresce cada vez mais bem como a sua importância. E os softwares que existem não pensam, apenas ajudam, porque o trabalho é muito estratégico e muito pessoal, explico melhor: o relacionamento é muito importante. Saber lidar com máquinas é mais fácil. Saber lidar com pessoas. Ih, aí a coisa complica.

Pronto. Agora que puxei o saco do meu pai, continuarei o desabafo. Na verdade, nem é tanto desabafo assim, só me deu vontade de escrever, mas vou dramatizar para dar mais emoção.

Eu, no começo da faculdade, via todos zoarem os mídias e o pessoal de atendimento. Eu achava engraçado e tudo mais, porém, eu ficava na verdade, em um fogo cruzado, como uma vovó vendo dois netinhos, sem razão, brigarem.

Era difícil, eu sabia da importância do trabalho do mídia e via sua desvalorização. Eu voltava para casa triste, passava dias chorando, sem comer, com vontade de levantar e dizer: Perae, sabe da importância de um mídia? Nossa. Isso mexia muito comigo, porque afinal, eu sempre vi o tanto que meu pai sempre trabalhou, ralou e batalhou para colocar maçãs na cesta de fruta lá de casa. Foi um período negro na minha vida. A internação já era até esperada.

Ser mídia é legal. Imagine você, a Globo querendo te agradar. Sim, ela dá vários convites para shows, jogos e festas. A Abril dá assinatura das revistas, para que você conheça todas e assim, saiba o perfil de cada uma. A Sky também dá presentes. O Estadão, o Uol, o Yahoo. O melhor é nas festas de final de ano. Quanto peru. Além disso, as pessoas importantes que você conhece e tudo mais.

Bom, esse texto não vai ter conclusão, simplesmente porque agora perdi a vontade de escrever.

Obs: o pessoal de atendimento, eu continuo a zoar. É meu anti-stress. Faça o teste e vicie-se.

Ninguém precisa ter lido o post abaixo para ler esse. São continuações, porém diferentes.

Este daqui eu escrevo para diretores de arte. Por isso ele será muito curto, como todo diretor de arte gosta. “Caramba, não cabe esse título de 7 palavras, tenta tirar umas duas que fica ok”. Vida dura essa de redator.

Desabafos a parte, o texto abaixo que você não precisa ler diz o poder das palavras da propaganda na sociedade. Todo mundo sabe de quem é a frase “Quer pagar quanto?”. Todo mundo completa a frase “Tomou Doril,…” ou essa que se encaixa perfeitamente à situação “Para bom bebedor,… “.

Não sei se algum dia você viu uma peça da Coca-Cola que estou há tempos procurando. Se não viu, com certeza vai conseguir visualizar na cabeça. A peça, acho que outdoor, é simples: O contorno da garrafa de 2l com o seguinte título: “Imagine uma marca”. Sem assinatura e em preto e branco. Perfeito, encantador, direto, fudido, simples de novo e caramba-como-não-pensei-nisso-antes-?. Pela embalagem nós reconhecemos o produto. O mesmo está fazendo o Leite Moça e o Nescafé.

Dias atrás, talvez meses – e dependendo de quando você está lendo isso, anos -, ganhei de presente um pequeno livro das “Propagandas que fizeram história no Brasil”. A capa dele achei fabulosa. Agora acabou o blá-blá-blá, sr. Diretor de Arte, chegou a hora da diversão.

Consegue identificar quais marcas estão na capa? Eu começo adiantando as três primeiros: C&A, Itaú e Campari. Bom, essas marcas são como os do texto citado abaixo. Se você quer entender melhor, basta lê-lo.

Garanto que dessa capa, de 23 logos que estão, no mínimo 20 você sabe quais são. Boa diversão.

propagandas-inesqueciveis.jpg

Just read it.

Maio 26, 2007

 

Se eu começar o texto dizendo uma boa idéia, no que você pensa? Tudo bem, a falta de aspas dificulta. Vou recomeçar.

Se eu começar o texto dizendo “uma boa idéia”, no que você pensa? As velhinhas já sabem e a mulecada nos bingos de festa junina também. Letra G 51. É incrível. 51 é o número da boa idéia, é a idade da boa idéia, é a cachaça que tanto conhecemos (e que muitas vezes prometemos nunca mais beber).

Um dia, no trabalho, veio um briefing. Um amigo, futuro diretor de criação, leu em voz alta com tom de brincadeira. “Com quem estamos falando? Mulheres de tal a tal idade que fazem isso e gostam disso” e completou: “é um absurdo falar como o público alvo age, é a gente que define isso”. Em partes é verdade. Eu fico pensando. Como pode uma idéia dominar uma sociedade e fazer parte da vida dela?

Você pode odiar a propaganda, achar que ela não é nenhuma Brastemp, ou ser totalmente desligado do mundo, mas sabe qual dia da semana é Zeca-Feira e o que temos que fazer nele. Sabe que o importante é a sua real beleza, porque ninguém fica tão perfeito sem maquiagem e photoshop. Diga, quem num churrasco nunca fez aquela rodinha de amigos e ficou gritando “Experimenta, Experimenta” enquanto a pessoa no meio abria a latinha da Nova Schin? Levante a mão quem até hoje nunca viu os bichinhos da Parmalat em cima da cama de alguma garota?

O que me fascina demais é a palavra Gillete, umas das mais famosas marcas sinônimas de produto. “E aquela novidade no mercado, Assolan, o que é, hein?” Aquilo é Bombril, respondiam os mais desavisados. Esponja de aço, quem diria isso naquela época? Aliás, quem disse?

O que me encanta também é o tanto que somos ligados às marcas, é natural, por exemplo: Tomou Doril,… . Se é Bayer, … . Não basta ser pai, … . E o clássico slogan com perfeita sonoridade “Vem pra Caixa você também, …” . Duvido que você não tenha completado todas as frases acima, e não é porque você é publicitário e tem facilidade para decorar. Você completou porque você vive, logo as idéias estão no seu inconsciente, ou seja… .

O som também é fundamental, muitas vezes vira a marca da marca. Leia cantando: Pernambucanas. Eu sei, você fez o click no final. Continuando a idéia: Tem coisas (Pum) que só a Philco faz por você. Daqui a pouco vão existir ringtones de slogans à venda, se é que já não existem. Tá aí uma grande oportunidade de mercado.

            E aqueles slogans mais fortes do que a própria empresa? “O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa”. Bom, numa boa, só o slogan.

            Você sabe quem é Carlos Moreno? Se não sabe, farei você falar um “ahhh”. Carlos Moreno é o Garoto Bombril. Ahhhh. Agora todo mundo sabe quem é. Um excelente ator, que como a marca, tem mil e uma utilidades. E você conhece José Valien? – Outro “ahhh”. – Ele é o Baixinho da Kaiser. Esses dois são mais badalados do que muitos atores globais. Esse último até foi capa da Caras. Aliás, creio que foi numa propaganda da Pepsi que a Cicarelli explodiu. É, a propaganda também cria novos ídolos (não, o Super 15 não é ídolo).

Do mesmo jeito que surgiram milhões de variação do “penso, logo existo”, surgiram variação de frases de propaganda, um exemplo próximo é “o primeiro post a gente nunca esquece”. Esses dias, li algo terrível (acho que era para ser piada): A propaganda é terrível contra os comunistas. Contra os comunistas. (???)

            A verdade é que a propaganda realmente muda a história não só da marca, mas da sociedade. “Tostines vendeu mais porque a propaganda era boa”, é fato. Vai dizer que você não gosta de ver aquele anúncio que parece que foi feito para você? Ou então que nem é para você, mas é divertido, como o “Não tem cara de Tiozão”?

Na visão do criativo, penso comigo, achar aquela idéia diferente, que foge de todas as regras e que faz história deve ser muito prazeroso. (Só falta eu falar que não tem preço. E o pior é que não deve ter mesmo.) Um exemplo é o da Folha – Não dá pra não ler. O livro Verdades, Mentiras e Propaganda diz para nunca colocar um “Não” em um anúncio, título e, principalmente, slogan. E olha com o que me deparo, com dois “nãos” em cinco palavras. E o pior é que tem gente que acredita que “não” ou “nunca” deixa a peça negativa.

            A vida é agora. Mas nossas idéias podem durar para sempre. Criar algo impecável é uma maneira de se tornar imortal, como o Andróide da Johnnie Walker sugeriu. O famoso clichê do Eistein é 99% de transpiração e 1% de inspiração. E eu ainda acredito nisso. Acho que vale a pena varar noites para criar um conceitocante (hehehe, era para ser alusão ao Bradescompleto), se esforçar e se matar a ponto de, no final, ver que as horas investidas valeram a pena. E fala a verdade, quem não ama muito tudo isso?

Sempre quando um escritor, cronista ou o que quer que seja não tem alguma idéia para texto, ele começa escrevendo o óbvio, que está sem idéia. Fala que já foi dar uma volta, que folheou um livro, ou que procurou a palavra “idéias” no Google e só saiu imagens de lâmpadas. Enfim, com certeza você já leu isso (pelo menos agora) e talvez até já tenha escrito. Como escrever algo que te inspire e também desperte a atenção dos seus leitores? Dizem que há métodos que sempre resolvem o “briefing” e todo mundo gosta. Por exemplo, parafrasear um artista.


                            Minha criação é um problema,

                            Tá pra lá de Bagdá.

                Ninguém faz nada certo

                            E sou eu que tomo lá.

                                            Gostosa Todos Dias, Atendimento.

 

Outro método é puxar a idéia de uma frase e a partir dela desenvolver o texto. Se for engraçada, trágica e com uma lição de vida, melhor ainda. “Aproveite o momento. Lembre-se de todas aquelas pessoas do Titanic que recusaram a sobremesa.” (Erma Bombeck). Bom, pelo menos na mesa de bar, essa frase geraria muitos assuntos.

Porém, para mim, o melhor método é pensar besteiras. Todo mundo gosta de coisas pornográficas de duplo sentido. Eu, por exemplo, acho um excelente estímulo. Todo mundo pensa em sacanagem. Até as vovós. Veja na história a seguir.

Não era só daquele momento que ele era assim. Difícil de explicar, mas ao mesmo tempo tão descritível. As meninas que o dizem. Cursou artes, não esta com a qual estamos acostumados, mas uma arte diferente, a arte da conquista. Sua faculdade eram as baladas; as provas eram os xavecos; e as notas baixas, as botas. Eternamente sexy, como se achava no auge da juventude, teve a brilhante – para o momento e errônea – para o futuro idéia de virar gigolô. Sabia do seu valor, do seu momento e viu que garotas estavam dispostas a pagar caro por ele. Não só garotas, mas vovós também (Viu, as vovós?). Que ousadia delas, que tristeza pra ele. Aids. Tudo num piscar de olhos. Em noite proveitosa e volumosa (a que pagara tinha mais de 180 quilos) ele tornou-se um ativo, um mar de vírus, sim, uma extensão do incômodo. Em dois anos envelheceu mais de 30. Morreu sem mulher, sem companheira, sem diálogo. Apenas com as lembranças. Passou seus últimos dias assistindo a filmes torturosos, pornográficos masoquistas. O “Axé Devasso II – Minha Bunda Tem Dendê” (Clássico dos Clássicos) era o preferido. Sentia saudades. Ah, como sentia.

 

E para finalizar, uma paráfrase de um vídeo bem interessante que me passaram.

 

 

Obs: Quando não se tem idéia é assim mesmo. Começa de um jeito e acaba de outro. É, acontece. 

 

Meia noite e meia agora. Ou melhor, não exatamente agora, mas na hora que estou escrevendo. Olho pro meu msn e vejo meus amigos de marketing se despedindo e indo dormir. Fica o pessoal de criação. Pode passar duas horas que eles ainda vão estar acordados. É estranho isso. Será que quem é de criação dorme menos? Eu não sei. E também nem sei porque comecei assim esse post. A minha idéia era dizer: como é bom ser de criação.

            Tenho pouca experiência em agência. Mas garanto que já ri demais. Pelas pesquisas, a área de criação é a que tem o salário mais alto. Bom sinal. Além disso, um belo jeans e uma camiseta (pode ser até rasgada) já bastam para estar bem vestido.

            O pessoal de criação pode ter olheira, talvez até precise para sua imagem profissional. Se acordar despenteado e for trabalhar assim, melhor ainda. É até compreensível se não toma banho. “Credo, que fedido, mas tudo bem, esse pessoal de criação é meio maluco mesmo”.

            Um professor meu de psicologia dizia que se alguém de marketing for internado em um manicômio contará aos amigos que decidiu fazer intercâmbio de última hora. Depois contratará um Photoshop Man só para fazer umas montagens com suas fotos. Igualzinho a um namorado não-fiel, essa pessoa nega até a morte que foi internada. Já o pessoal de criação diria, com toda a felicidade, que ficou uma temporada no manicômio. E o pior: fazendo pasta. Talvez isso seja, muitas vezes, o passaporte para algumas agências.

            E esquecimento? Quanto mais você tiver, melhor profissional você é. Cada vez com mais freqüência seus amigos olham para você e dizem que você já contou essa história, que já indicou esse livro, ou que já falou dos efeitos especiais do último filme lançado. Me refiro a seus amigos que não são da área, lógico. Seus amigos de criação nem imaginam o que você já contou para eles.

            E na balada? Dizer que é de criação é quase tão bom quanto dizer que você é cirurgião plástico. “Oi, eu sou de criação e crio valores onde não existe”. (Daí você vai e conta toda aquela história do sal. Vou prolongar esse parênteses para explicar melhor.

            Qual a diferença entre Sal Cisne e as concorrentes? Se você disse alto “NENHUMA”, errou. O gosto pode ser o mesmo, a qualidade também, mas a impressão é que o Sal Cisne é melhor. Simplesmente porque alguém criou valor para esse produto. Daí você se empolga, olha para mina e solta aquela que vai deixá-la puta: “Sabia que 250 reais dessa sua calça de 300 foram gastos em um pedaço de pano do tamanho de um guardanapo? Nesse pedaço de pano é colocado o logo da marca. Essa sua calça, na verdade, é a mesma que minha empregada usa, só que é de marca.” Ela se emputece e cai fora. Tudo bem, você está acostumado. Afinal, publicitário perde o cliente, mas não perde a idéia. Nota1: cliente, no caso = consumidor final. Nota2: vide peças maravilhosas que só publicitários entendem.

            Agora sim, fecho o parênteses.)

            O bom de ser de criação é o peso na consciência. Você dificilmente tem. É gostoso ir a uma banca de jornal ou a um sebo, e comprar mais revistas e livros do que você – com certeza – tem tempo para ler. Basta pensar: eu sou de criação, preciso de muito repertório. Pronto, consciência tranqüila. Passam-se meses e você acha um livro empoeirado no fundo da gaveta. Agora sim, chegou a hora de lê-lo. Mas não dá, a última Piauí acabou de sair e dessa você não pode abrir mão.

            Você também não tem peso na consciência quando esquece de um compromisso, ou um aniversário. Tudo bem, quem é de criação deve filtrar suas informações para só ter aquilo que interessa. Se não interessa, não adianta, nunca vai lembrar. Com exceção da sua namorada, todo mundo entende. A mesma coisa com horário. Chegar no horário é preocupante. Chegar atrasado, excelente, você é um ótimo criativo.

            Bloquearam o Youtube no trabalho. Essa história você já viu. Estava consumindo muita banda e você estava atrapalhando todo mundo com suas risadas altas. Um criativo assistindo ao Youtube não está se divertindo. Está estudando, adquirindo repertório, tendo referências. Por causa disso, o pessoal do suporte acaba sempre liberando. Que corações moles eles têm.

            É lógico que nem tudo são flores. Toda profissão tem seus lados ruins. Mas acho que em criação, a principal diferença está no prazer, em querer ter uma peça bem feita, fazendo história. O dinheiro é mera conseqüência.

            Abro um livro do Duailibi esses dias e vejo uma frase do Dom Quixote.

“E disse Dom Quixote a Sancho:

Meu repouso é minha batalha.”

            Vejo o relógio, quase três horas, e penso: realmente, como é bom ser de criação.

O meu Eu ideal

Maio 10, 2007

Este é um trabalho acadêmico chamado Eu ideal.

A proposta é contar um pouco de você, lógico que as melhores partes, em um minuto. Hoje talvez meu vídeo sairia com algumas coisas diferentes, mas com a mesma base:

[não esqueça de ligar o som]

É, o som acaba do nada mesmo. Acontece.

Como manda a tradição, no máximo um mês depois que uma eliminada do BBB sai da casa, eu vou à banca e compro a sua Playboy. Alguns amigos me questionam, já que há vários sites na internet com as fotos. (Para quem quer se aprofundar no assunto: http://revistasgratisws.blogspot.com/.) Eu explico que compro a revista também pelas matérias e entrevistas. Mas nesta última Playboy (a da Fany), me deparei com algo alarmante, algo com que devo me preocupar. Antes de ver as fotos, olhei todos os anúncios da revista. Da primeira à quarta capa. Talvez eu até tivesse me esquecido de que ali havia mulher pelada se eu não tivesse visto a capa ao fechar a revista. Chego a uma conclusão que todo mundo já sabe: A Propaganda vicia.

Segundo o marketeiro Philip Kotler – se você fez cara feia ao ler esse nome, você é o público-alvo desse texto – uma pessoa vê mais de 1600 propagandas por dia. Um número duvidoso, mas quem questionaria Deus? Fico pensando a respeito de nós, viciados em publicidade, que antes de abrir o e-mail, vemos blogs e sites de notícias especializados, que para(vá)mos na rua para analisar os outdoors. De fato, estamos viciados nesse negócio e a volta, bom, esquece isso. Não tem volta, e você também não vai querer voltar.

Segundo pesquisas, os assuntos mais falados num bar aqui no Brasil são, em ordem, mulher, futebol e carros (a título de curiosidade, no Texas a mulher vem em quarto lugar). E se essa pesquisa fosse feita com publicitários? Pense no resultado. O que você acha que sairia?

Como a Fany, a Propaganda é linda e gera muitos assuntos. Eu não sou um maluco que só fala disso. Aliás, nem quero soltar minha opinião sobre as mesas do bar. Como um bom publicitário, você tem um histórico de bebedeira e já chegou a uma conclusão.

Agora, se você odeia a propaganda, é a favor da Lei Kassab, muda de canal no intervalo e já vivenciou a história da Playboy, cuidado. Seu vício pode ser outro. Uma dica: conheça o Texas. Ah, e não se preocupe, acontece. 

É fato. O Papai Noel tem os dias contados. E como bons publicitários vanguardistas que somos, já devemos pensar em novas alternativas emocionais em nossas campanhas de natal, e preparar nosso corações, para o fim da sua triste era, a Era do Papai Noel.

O bom velhinho passou por várias gerações, já foi muito amado e esperado. Os presentes deixados na árvore de Natal, a história do vovô que viu um brilho durante a noite. Tudo isso vai acabar e a responsável, por incrível que pareça, será a internet. Veja algumas razões.

1- Cada vez mais cedo as crianças estão na internet. E estão ficando mais espertas. Entram em sites proibidos, decoram senhas, conversam com 15 amigos ao mesmo tempo. E aí está o problema. Por curiosidade vão digitar no Google: “Onde mora Papai Noel?” e na lista de links patrocinados estará uma marca antiética dizendo que Papai Noel não existe, que o melhor é garantir os presentes natalinos por lá. Pronto. O clique será inevitável.

2- Faça o teste: hoje, quem sabe os nomes das renas? Você sabe? O Papai Noel está perdendo credibilidade. Se fizermos uma pesquisa, a borboleta do Msn, esse programa mesmo que você usa todo dia, é mais conhecida que o próprio Papai Noel. Viva a banda larga.

3- A internet está fazendo as pessoas dormirem mais tarde. Inclusive as crianças. Na noite de natal, será fácil elas ficarem acordadas até a hora do Papai Noel chegar. Pronto. Ele não vai aparecer. Ou os pais não dão o presente e falam que ele não veio, ou contam toda a verdade. A tradição vai depender do coração de cada um.

4- Em alguns anos o Google Earth cobrirá o planeta inteiro, inclusive o Pólo Norte, lá, onde o bom velhinho tem a sua fábrica. As crianças, de novo elas!, vão procurar onde seus brinquedos são produzidos. Não vão achar nada, a não ser que um milionário, pelo bem da tradição, construa uma bela casa por lá antes de o satélite fotografar.

5- Este é nosso mundo de sacanagem: alguém criou o e-mail papai_noel@hotmail.com, que com certeza tem um monte de crianças na lista do msn. Finja ser uma. Perto do Natal, o mentiroso tem o costume de falar a verdade. É sempre uma decepção em conjunto, um arrastão de sentimentos. Triste infância interativa.

6- Em breve, todo mundo do planeta vai participar do Orkut. E o Papai Noel não pode ficar de fora. O perfil dele já até existe, obviamente falso. Até aí, tudo perfeito, porque as crianças vão continuar se iludindo. Porém, no dia de 26 de dezembro, algumas não vão receber o que pediram e vão reclamar. As crianças hoje têm muita atitude. Quando chegarem à página mensagens, verão scraps de pessoas agradecendo a Barbie que voa, ou o Playstation 5. A decepção será muito grande, afinal elas se comportaram também. O Papai Noel vai perder ainda mais a sua credibilidade.

7- Ok ok. Supomos que algumas crianças ilesas continuarão acreditando no Papai Noel. É possível. Mas quantas dessas vão escrever cartas? Quase nenhuma. Todas vão mandar e-mails. E alguém, aproveitando esse momento, mandará um e-mail resposta com vírus como se fosse o bom velhinho. As crianças vão descobrir que o mundo é cheio de trapaceiros e que um deles é o Papai Noel. Vão ter ódio dele, principalmente quando o computador estiver no conserto e elas ficarem uma semana sem acessar o Youtube. Vai ser a pior semana da vida delas e o responsável por isso será ele, o já quase extinto Papai Noel.

Eu aconselharia você a acreditar friamente nessas palavras. A reflexão no caso é perda de tempo, já que você chegaria à mesma conclusão. O Papai Noel vai sumir. Vai cair como Roma um dia caiu. É fato, é a história, será o passado.

Adeus Papai Noel, foi realmente bom enquanto durou.

Quarta série. Esse é algum lugar do meu passado. Ainda lembro, prova do livro “Bang-Bang no Faroeste”. 10 perguntas, eu não li o livro, eu não sabia nenhuma resposta. E também não consegui inventar alguma desculpa convincente para não ir ao colégio.

Eu aprendi que em provas devo responder todas as questões. Deixar alguma resposta em branco ou errar dá na mesma. Eu respondi todas e acabei tirando 2,5. Eu não sou mágico nem vidente, e também não colei de nenhum colega. “Então como eu sabia dois e meio de respostas?”. Eu respondo: eu não sabia, nem cheguei perto do correto, mas devo ter escrito algo que a professora gostou. Depois desse dia eu pensei: “A criatividade pode fazer a diferença”.

Desde então eu vivo para isso. E em breve viverei disso. Por enquanto, olha onde eu vim parar: neste blog.

Dizem que o começo é a metade do todo. Eu realmente espero que não.